Terre d’ Hermès. Hermés, 2006.

Notas de topo: toranja, laranja.

Notas de fundo: pimenta preta, pelargonium.

Notas de coração: benzoin, vetiver, cedro, patchoulli.

Terra. Um dos elementos mais importantes do nosso ecossistema, um conceito que perpassa o domínio da ciência e da arte. Uma ideia de perfume. Um perfume com as ideias da Hermès.

O caso notável do Terre d’Hermès tornou-se uma referência da perfumaria contemporânea e um previsível sucesso de vendas em Portugal e, julgo, um pouco pelo mundo inteiro. A chave para este perfume reside não somente no aroma ou no frasco mas na harmoniosa relação entre todos os componentes do perfume (o líquido, o frasco, a embalagem e o branding).

Quando, em 2006, Jean-Claude Ellena concebe o Terre d’Hermès tinha, no seu portfólio, criações de grande sucesso como os casos do Un Jardin sur le Nil e o Un Jardim sur le Mediterranée para a casa Hermès mas também o First da Van Cleef and Arpels. Se os primeiros dois representam uma linha mais floral o terceiro caracteriza-se pela sobriedade e descrição. Na minha opinião, o Terre d’Hermès é a perfeita moderação entre os valores da simplicidade dos acordes amadeirados e exuberância dos florais.

As notas de topo, dominadas por acordes de citrinos, permitem uma imediata ligação com a Natureza mas, ao contrário da grande maioria das fragrâncias (nomeadamente as femininas), a segunda vaga, das notas de fundo e de coração, constitui-se por acordes de pimenta, cedro e vetiver. No final permanece um cheiro forte, intenso, terreno e robusto. Um cheiro de homem!

Ao olhar para o frasco do Terre d’Hermès percebemos como o conceito de terra se articula numa criação de notável simplicidade, despojo e austeridade. Trata-se de uma peça única que, à excepção do fundo e do vaporizador, não tem nenhum pormenor de especial tratamento; bruto e cru. No topo, todavia, funciona num mecanismo de rotação sobre o eixo central, descendo a protecção de borrada para mostrar o vaporizador; no fundo um H esticado está em relevo, cunhando o frasco à casa do perfume a que pertence: Hermès. A embalagem, muitas vezes relegada para um plano de inferior relevância, é aqui tratada segundo o mesmo princípio de sobriedade e discrição, somente sendo pontuada pela figuração de uma carroça, um cavalo e um gentleman na faixa inferior da cartonagem.

Público preferencial: homens adultos e de meia-idade, sem grande tradição em novos perfumes e com carácter reservado.

Utilização: em qualquer altura do dia. Pode ser usado em ocasiões especiais e durante a noite.

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